sábado, maio 26, 2007

Ahoj my amis!

E finalmente escrevo qualquer coisa neste blog.... Quando surgiu a oportunidade de vir para a República Checa trabalhar, muitos foram os que me disseram "Vai, porque vai ser uma boa oportunidade". Será que vai ser mesmo uma boa oportunidade? Acho que ainda é cedo para responder a essa questão, mas tudo indica que irei aprender muitas coisas novas...
Pra já, mantenho algumas reservas... Até porque, uma coisa é viver aqui umas semanas e outra é viver aqui durante um ano! À parte a diferença da localização geográfica, existem muitas outras diferenças entre viver em Portugal e viver na República Checa. Algumas diferenças são-me um pouco indiferentes, mas há outras que me afectam bastante... Sobretudo o clima e a alimentação!

Poema da auto-estrada

Voando vai para a praia
Leonor na estrada preta.
Vai na brasa, de lambreta.

Leva calções de pirata,
vermelho de alizarina,
modelando a coxa fina
de impaciente nervura.
Como guache lustroso,
amarelo de idantreno,
blusinha de terileno
desfraldada na cintura.

Fuge, fuge, Leonoreta.
Vai na brasa de lambreta.

Agarrada ao companheiro
na volúpia da escapada
pincha no banco traseiro
em cada volta da estrada.
Grita fingido,
que o receio não é com ela,
mas por amor e cautela
abraça-o pela cintura.
Vai ditosa, e bem segura.

Como um rasgão na paisagem
corta a lambreta afiada,
engole as bermas da estrada
e a rumorosa folhagem.
Urrando, estremece a terra,
bramir de rinoceronte,
enfia pelo horizonte
como um punhal que se enterra.
Tudo foge à sua volta,
o céu, as nuvens, as casas,
e com os bramidos que solta
lembra um demónio com asas.

Na confusão dos sentidos
já nem percebe, Leonor
se o que lhe chega aos ouvidos
são ecos de amor perdidos
se os rugidos do motor.

Fuge, fuge, Leonoreta.
Vai na brasa de lambreta.

António Gedeão, Poesias Completas



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   Ana Cardoso